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A vida do lado de lá

A vida

“É invisível a muitos, uma sala de aula rude,
sem teto nem professor, cheia de alunos de
corpos magros e suados que, sob o impulso
sôfrego da enxada pesada, deixam a terra nua
e entregam seus esforços ao tempo que encar-
regará de recheá-la de abundância (ou não).
Esse é o processo causticante que supre as
nossas necessidades.

Aqui lambuzam-na de preto
Sufocam sua fertilidade
Mas, terras, em outras terras,
Lá na terra da sofreguidão
São cavoucadas
Recheadas
Com mudinhas franzinas.
Espera… espera…
Até que despertam gordinhas
E no canteiro barrento
Concebem sustento!

O criador é rude
Nada em escola aprendeu
O pincel é a enxada
Que dilacera e deforma
Mãos para o apogeu.

E essa gente de fronte fechada
Limpa o suor e conforma
Adula a enxada
Pois na terra amassada
A semente tem que vingar!

*Poesia publicada no livro “…mas a alegria vem pela manhã”, de Onã Silva

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Escrito por

Formada em Enfermagem (Universidade Católica de Goiás) e Artes Cênicas (Faculdade de Artes Dulcina de Morais, Brasília), Especialista em Saúde Pública (UnB), Mestre em Educação (Universidade Católica de Brasília) e Doutora (Universidade de Brasília-UnB). Exerce, além da profissão de enfermeira, a educação em saúde, envolvendo a cultura e outros saberes, sendo facilitadora de oficinas/palestras nas áreas de criatividade, teatro, dinâmicas, atividades lúdicas, arteterapia e outros temas.

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